sexta-feira, 30 de março de 2012

Jantar dos Amigos da Gospel FM Rio

Convite Jantar Amigos da Gospel

Entrevista com Dr. Paulo Niemeyer Filho

Parte da entrevista da revista PODER, ao neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho,

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PODER: O que fazer para melhorar o cérebro ?

Resposta: Voce tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, reclamando de tudo, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter alegria. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.

PODER: Cabeça tem a ver com alma?
PN: Eu acredito que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. Isto comprova que os sentimentos se originam no cérebro e não no coração.

PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?
PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?
PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.

PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?
PN: Todo exagero.
Na bebida, nas drogas, na comida, no mau humor, nas reclamações da vida, nos sonhos, na arrogância, etc.
O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra.
É muito difícil um cérebro muito bom num corpo muito maltratado, e vice-versa.

PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?
PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente que te faz infeliz. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?
PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem mentalmente, com saúde, e bom aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha.

PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?
PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

PODER:Você acredita em Deus?
PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai até a família e diz:
"Ele está salvo".
Aí, a família olha pra você e diz:
"Graças a Deus!".
Então, a gente acredita que não fomos apenas nós, que existe algo mais, independente de religião.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Tempo justo

Tem gente que está plantando e plantando sem nunca parar para colher. Se não tem tempo para desfrutar, então qual o significado de tanto trabalho?

Por Dulce Magalhães*

O final de ano é o período perfeito para se reavaliar. Termina um ciclo e começa outro. Esse intervalo entre o que foi e o que será é o tempo justo para se fazer escolhas e definir novos destinos. É o instante em que podemos construir a ponte para o futuro desejado ou nos perder nos desvios das dificuldades autoimpostas.
Tem gente que está plantando, plantando e plantando sem nunca parar para colher. Se não tem tempo para desfrutar, então qual o significado de tanto trabalho? Tem gente que quer colher antes de plantar e se vê frustrado por não conseguir alcançar o suficiente daquilo que precisa. E tem gente querendo colher antes do tempo, desperdiçando oportunidades e perdendo relacionamentos por falta de percepção.
É fundamental saber qual é o compromisso do instante. Para isso, é preciso reflexão sobre valores, propósitos, preparação, ação e resultados. Cada um desses itens vai organizar a trilha para uma caminhada mais tranquila, com um estado de consciência mais desperto e, portanto, com a coerência necessária entre o que queremos, pensamos e vivemos.
O tempo mais bem aproveitado é aquele que reflete nossos propósitos e intenções do momento. Assim, reconhecer que estamos fazendo algo diferente do que desejamos é entender onde está o maior desperdício, o tempo mal aproveitado. Um mergulho nos processos decisórios pode nos tirar da confusão e permitir uma revisão sistêmica da forma como estamos operando a vida.

Valores
São conceitos que traduzem nossas preferências e orientam nossas escolhas. Um valor pode ser ético como a verdade e o respeito; pode ser moral, como a forma que devemos nos comportar num ambiente público; relacional, que determina a maneira como queremos conviver; social, como status ou poder de consumo. Temos valores em todos os aspectos. Mas o mais importante é reconhecer os próprios valores e entender que muitos de nossos problemas existem porque estamos ou equivocados na conduta ou no conteúdo de nossos
valores. A maioria dos valores são imutáveis. 

Propósitos
Algumas pessoas confundem valores com propósitos. Propósitos se pautam nos valores, mas são objetivos a alcançar – algo que ainda não vivemos. Já os valores são aquilo que refletem a forma como já vivemos. Um propósito pode ser, inclusive, transformar um valor – deixar de fazer algo ou começar a viver de determinada forma. A maioria dos propósitos são mutáveis.

Preparação
É a estratégia que adotamos para alcançar nossos propósitos. Está
especialmente ligada à aprendizagem e nos convida a sair de uma
determinada posição para atingir outra, através de um método, hábito ou forma de agir. Sem preparação não há mudança consistente e o propósito não tem condições de ser atingido. O quanto você está se preparando para alcançar o que deseja?

Ação
É o empenho de energia que colocamos na busca de promover uma mudança desejada ou impedir consequências não desejadas. Toda ação gera um resultado, tem consequências. A omissão também é uma forma de atuar – é fruto de uma escolha. Mas o agir não deve ser relegado ao piloto automático. É preciso tomar a rédeas da vida e colocar a energia na direção certa – aquela que nos conduz os propósitos. Você tem avaliado suas ações diariamente?

Resultado
É uma consequência – mas também é causa para novas  consequências. Resultados são a parte tangível e concreta de qualquer processo. Se o resultado é positivo, o processo também é. Quando o resultado é negativo, porém, é porque precisamos melhorar o processo. Sem olhar para os resultados, podemos nos enamorar dos métodos e manter hábitos, conceitos e valores que não contribuem para nosso sucesso.

*Dulce Magalhães - é sócia da Work Educação Empresarial
Matéria publicada na Revista Amanhã – Edição Fevereiro de 2012