segunda-feira, 28 de julho de 2008

Juventude brasileira é a 3ª mais religiosa entre 21 países

A juventude brasileira é a terceira mais religiosa entre 21 países pesquisados pelo instituto alemão Bertelsmann Stiftung. Ao todo, 65% das pessoas com faixa etária entre 18 e 29 anos são consideradas profundamente religiosas. Tal realidade, no entanto, só é confirmada em Bauru entre os evangélicos. No meio católico e espírita, o percentual é mais baixo.

"Profundamente religioso acredito que seja um percentual relativamente pequeno. Nós temos uma mocidade espírita bem atuante, mas mesmo assim não é profundamente religiosa. Ela freqüenta algumas atividades de final de semana. Mas profundamente religioso seria aquele que estivesse em contato quase a todo momento com a religião ou com trabalhos assistenciais que os espíritas desenvolvem", comenta Nélson da Silva Bastos, presidente do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac).

Ele estima que entre 5% a 10% se enquadrem neste caso. Já de 20% a 30% são apenas religiosos. Ainda assim, para atraí-los, o jeito é oferecer alternativas onde possam praticar o que aprendem na religião.

"Hoje estão mais vinculados a uma atividade dinâmica. Quando chega na religião, também esperam algo bem corrido. Gostam de fazer trabalhos assistenciais, na periferia", comenta. Já o engajamento entre universitários católicos é mais difícil, explica o responsável pela Pastoral Universitária, Roberto Daniel (padre Beto).

"Ele está muito aberto para dialogar sobre a espiritualidade. O que é difícil é conquistá-lo para qualquer projeto voluntário, de luta às conquistas sociais, à construção de uma sociedade mais justa. Essa fé fica só no âmbito particular. Estamos numa fase de individualismo exacerbado e isso passa para a religiosidade", acrescenta padre Beto.

Ele admite que muita gente acredita ser profundamente religiosa sem, no entanto, freqüentar a igreja e as atividades desenvolvidas por ela. Para tais pessoas, bastaria o fato de ter fé em Deus, rezar em casa ou ser apegado a algum santo, por exemplo. Na opinião do padre, eles seriam apenas religiosos e representariam 70% da população jovem.

Profundamente religiosos seriam outros 30 a 40%, que participam das celebrações, procuram a experiência religiosa e respeitam a doutrina, seja qual for a religião escolhida.

"O povo brasileiro é religioso, tem base cristã. Durante muito tempo a igreja católica foi a oficial do País. Embora hoje haja separação entre igreja e Estado, a gente sabe que essa herança permanece. Eu creio que muita gente seja religiosa. Mas uma coisa é religiosidade e outra é compromisso com Deus", ressalta Edson Valentim, presidente do Conselho de Pastores e pastor da Igreja Batista Bereana.

De acordo com ele, religiosidade tem relação com crenças básicas e superstições. É o caso, por exemplo, das famílias que têm Bíblia aberta sobre um móvel da casa, sem nunca lê-la. "Agora, vivência tem haver com compromisso de fato, em buscar a palavra de Deus, estar envolvido na igreja. O evangélico dá muita importância à vivência. Dos jovens evangélicos que são realmente envolvidos, nós teríamos uns 70%. Místicos sem compromisso seriam os outros 30%", conclui.


35% dos jovens seguem preceitos religiosos

Segundo a pesquisa elaborada pelo instituto alemão Bertelsmann Stiftung, 35% dos jovens brasileiros vivem de acordo com os preceitos religiosos. É o caso, por exemplo, do universitário Carlo Di Crivelli, estudante de engenharia mecânica.

De família católica, ele participa da Pastoral Universitária e tenta convencer os amigos a adotar a mesma prática, auxiliando, por exemplo, entidades assistenciais. Embora seja espírita, Taciana do Espírito Santo, também desenvolve atividades semelhantes. De voluntária no Ceac, passou a trabalhar oficialmente na entidade.

Com o emprego, a intensidade de sua vida religiosa aumentou. Diariamente ajuda pessoas em dificuldade, faz orações por elas, além de aproveitar as palestras oferecidas pelo centro. Também é bastante religiosa Érika Maciel, que há nove anos converteu-se e tornou-se evangélica. "Antes não sabia que poderia sentir Deus, que poderia me relacionar com ele como Pai. Era muito distante", comenta.

Para ela, mais jovens poderiam experimentar esta mesma experiência, se o mundo não oferecesse outros caminhos aparentemente atrativos, que levam a uma vida desregrada, sem limites e sujeita aos apelos das drogas e bebidas, por exemplo.

Quem sabe sem a concorrência citada por Érika, o Brasil teria ultrapassado a Indonésia e o Marrocos, países de maioria muçulmana que empataram com o Brasil.

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