domingo, 13 de janeiro de 2013

O Vírus de Verdi

Da vida do compositor de óperas Giuseppe Verdi há uma história de uma noite em que ele realizou um recital de piano no teatro Scala, em Milão, Itália. Depois da peça final a plateia calorosa exigiu bis. Verdi, ávido por aplausos, escolheu uma composição sonora e espalhafatosa, que ele sabia que emocionaria o público, embora fosse, artisticamente falando, de qualidade inferior. 

Quando terminou, a plateia se levantou em estrondeante aprovação. Verdi desfrutava os prolongados aplausos, quando viu na galeria seu mentor de longa data, que sabia exatamente o que ele acabara de fazer. O mentor não se levantou e nem aplaudiu. Seu rosto estampava uma expressão de frustrado desapontamento. Verdi quase podia ouvi-lo dizer: “Verdi, Verdi, como pode fazer isso?”

Poderíamos chamar a isso de “vírus de Verdi” — desejo de controlar, necessidade de aprovação. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche descreveu isto assim: “Sempre que escalo um degrau na vida, sou seguido por um cão chamado ego.” O ego infla quando regado por louvor. Ávido por poder e sucesso, jamais se satisfaz, não importa o quanto receba dessas coisas. 

Isto é muito comum no moderno e sofisticado mundo empresarial e profissional. Homens e mulheres lutam por atenção, anseiam por adulação, intrigam para obter controle e impor sua vontade. Todos os dias ouvimos falar ou lemos sobre líderes que sucumbiram às tentações de egos famintos. Tais atitudes não são novas. O egocentrismo é tão velho quanto a Bíblia. Vejamos alguns exemplos: 

Amor por preeminência. 3João 9-11 fala que Diótrefes, “que gosta muito de ser o mais importante entre eles”, ou em outra tradução, “que ambiciona o lugar de primeira distinção”. Ambição por prestígio e controle levam à adoração e a igual quantidade de influência intimidante. 

Insistência em impor nossa vontade. Em Números 22-24 lemos sobre Balaão, único profeta gentio do verdadeiro Deus identificado na Bíblia. Ele obedeceu a Deus até certo ponto, mas seu coração aceitou a liderança de Balaque, que se opunha aos israelitas. Balaão desejava obedecer a Deus, mas cedeu à tentação do ouro. Ele tinha uma mente cheia de iluminação espiritual, mas um coração em trevas. Deus permite que façamos o que insistimos em fazer, ainda que erradas. Queremos e insistimos em fazer. Até mesmo oramos: “Senhor, por que não posso ter isso?” 

Rebeldia contra verdade e sabedoria. Em 2Crônicas encontramos a história de Roboão, insolente filho do rei Salomão. Roboão presumiu que o legado de sua família e o poder que herdou, fariam o povo ceder aos seus caprichos. Porém, sem sabedoria política nem compreensão correta da confiança que seu pai depositava em Deus, Roboão morreu orgulhoso e tolo aos 58 anos. “Ele agiu mal porque não dispôs o seu coração para buscar o Senhor” (2Crônicas 12.14). 

Como evitar as armadilhas do orgulho e do egocentrismo? Considere a lição de 1Pedro 5.5-6: “Sejam todos humildes, uns para com os outros, porque Deus Se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes. Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele os exalte no tempo devido.”

Por Robert D. Foster

Próxima semana tem mais!


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